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Desde de algum tempo, mesmo séculos, que o Homem tem vindo a transformar os seus iniciais instrumentos (musicais) tentando cada vez mais obter maior e mais perfeita sonoridade.
Como diz o ditado "Cada terra com seu uso, cada roda com seu fuso" cada civilização tem os seus instrumentos defenidos e típicos. Desde os instrumentos de percussão, de sopro, de madeira ou metal, simples ou eléctricos, há uma preocupação comum: a perfeita afinação.
Verdade seja, que para ter um instrumento (violão) que afinasse gastei algumas centenas de "contos". Após a aquisição deste instrumento e após um estudo aprofundado sobre o mesmo, comparando com outros que já possuía concluí que as diferenças entre eles, eram as madeiras e a escala. Quanto às madeiras, qualquer bom livro da especialidade elucida-nos sobre isso, já quanto à escala não é bem assim, sendo a mesma, na minha opinião quase segredo.
Tomando em conta um cálculo matemático que é conhecido entre nós, para construção de escalas e, o referido instrumento, levei cerca de oito horas a aperfeiçoar o respectivo cálculo para obter uma maior optimização da afinação.
Sendo assim, e já que, na minha família, o meu avô, o meu pai e alguns familiares próximos construíram os seus instrumentos, decidi construir também o meu.
Adquirido o material necessário e com a ajuda de um carpinteiro amigo lá pus mãos à obra. Desde o fazer do molde, desbastar as madeiras, moldá-las, colá-las, poli-las, fazer a escala, envernizar, colocar as cordas, afinar e por fim tocar, construí o meu primeiro instrumento que foi nem mais nem menos do que um violão de doze cordas.
Dado a conhecer a algumas pessoas entendidas, e porque não críticas na matéria, afirmaram-me que o respectivo instrumento para além de estar bem concebido e com bons acabamentos, tinha uma óptima afinação. Fiquei todo contente e com o entusiasmo à flor da pele, vou construindo mais alguns instrumentos. Como o sucesso da afinação continuou em todos estes instrumentos. No Dia dos Namorados, idealizei, depois pondo em prática um instrumento que suponho eu não existir nenhum outro idêntico ou parecido, estando mesmo a tentar registar a sua patente "tendo este também boa afinação". Como este outros se seguiram e, sempre que tenho/tiver tempo continuarei a idializar/construir mais.
Não é esta a minha profissão, mas por amor à arte, curiosidade e até como um extra monetário, vou construíndo alguns instrumentos, que segundo a crítica, são bons.
Neste momento estou a construir uma viola, dita "viola terceirense", e que convém esclarecer que nada tem a ver com a viola Açoreana, segundo o descrito no livro de "Tenente Francisco José Dias" que se intitula "Notas Etnográficas":
Segundo o investigador/escritor, o Sr. Hélio Beirão (investigador/crítico) e outros, a "viola da Terceira" é o resultado de duas culturas que se juntaram durante o fim do século XVI e a primeira metade do século XVII. Por um lado a cultura dos espanhóis que aqui (Terceira) habitaram durante seis décadas e a de outros povos que alí se haviam antes radicado. É mesmo possível que algum destes povos fossem oriundos de Braga introduzindo assim na ilha Terceira a "viola Braguessa". Muito possivelmente, daí nasceu uma fusão de instrumentos: guitarra espanhola (violão) e a viola braguessa. Segundo os mesmos críticos esta fusão deu origem à viola que hoje chamam "viola terceirense".
A recolha que o dito escritor "Tenente Francisco José Dias" fez e consta num dos seus livros intítulado "Cantigas do Povo dos Açores", denota que as modas regionais terceirense são, uma amálgama de melodias nascidas do folclore Espanhol, Continental e Ilhéu. Segundo o Sr. Hélio Beirão, depois de observar este instrumento com razoável pormenor, que esta viola deve ter sido sujeita a um cuidadoso "estudo", que lhe deu origem.
Como exemplo de um dos bons construtores de viola da Terceira, temos o Sr. João Sá e Silva, que apareceu na Terceira no primeiro quartel do século XX.
Para quem tiver oportunidade de observar de perto um exemplar deste Senhor, "verificará a sua bem acentuada silhueta: cintura pequena, braço e caixa de ressonância em perfeita harmonia estrutural. Também neste livro se pode verificar a tal inexplicável sensibilidade artística, musical e cultural dos nossos maiores."
Na "viola Terceirense" com seis parcelas e quinze cordas, ao contrário da "viola regional dos Açores", a afinação foi resolvida de modo equilibrado e prático, produzindo alterações que deram à viola uma dimensão mais ampla, sendo por outro lado, o referido pormenor do óculo ou buraco no tampo, a substituir os dois corações, não passa de uma alteração estética. Sendo no entanto o modo de encordoamento merecer referência especial.
Desta forma estamos na presença de um instrumento musical aperfeiçoado pela sensibilidade artística da nossa gente que ali tem uma prova irrefutável da sua capacidade criadora. Por isso a "viola Terceirense" é um ponto alto a considerar na arte popular açoreana.

 

Curiosidade


*Flauta de 35 mil anos é mais antigo instrumento musical do mundo

A asa de um abutre e presas de mamute serviram de matéria-prima para produzir os mais antigos instrumentos musicais do mundo, afirma um estudo na edição desta semana da revista científica "Nature". São flautas encontradas em cavernas do sudoeste da Alemanha, testemunhas de uma aparente explosão de criatividade que tomou conta dos primeiros seres humanos a colonizarem a Europa.


A foto após a escavação, com detalhe para os furos dos dedos
(Foto: H. Jensen/Universidade de Tübingen)

As flautas de osso (a mais completa e bem preservada) e de marfim foram encontradas e analisadas pela equipe de Nicholas J. Conard, arqueólogo da Universidade de Tübingen (Alemanha) que é um dos maiores especialistas nessa aparente Semana de Arte Moderna que aconteceu há cerca de 35 mil anos, na Europa da Idade do Gelo. 
Depois de remontada, a flauta de osso de abutre revelou ter quase 22 cm de comprimento (embora ela não esteja inteira, até onde os pesquisadores podem estimar; pode ser que ela fosse ainda mais comprida). Com cinco buracos para os dedos, os arqueólogos estimam que ele pudesse produzir uma variedade de notas tão grande quanto a da maioria das flautas modernas.
Antes da descoberta, alguns pesquisadores tinham proposto que os neandertais, nossos parentes extintos mais próximos, também tinham tradições musicais. No entanto, os instrumentos alemães apresentam a primeira prova inequívoca da existência de música entre seres humanos modernos ou seus parentes. Na mesma época, artes como a pintura e a escultura também estavam emergindo na Europa.
Fonte: Ciência e Saúde 25/06/2009

 

Aqui deixo algumas das minhas criações

 

 

 

 

 

 

 

Por falar em instrumentos, aconselho e ver algo sobre este assunto.
José de Freitas Serpa, um florentino com muito talento e arte. Veja/saiba um pouco sobre ele

 

 

 

 

***OBRIGADO PELA VISITA***